● Folha e benefícios
Salário mínimo 2027: projeção de R$ 1.741 e o impacto na folha
Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741. Veja como o valor é calculado e o impacto em folha, pisos, benefícios e contratos públicos de terceirização.
O governo federal enviou ao Congresso, em 31 de agosto de 2026, o Projeto de Lei Orçamentária de 2027 com um salário mínimo projetado de R$ 1.741,00 a partir de janeiro. São R$ 120 a mais que os R$ 1.621,00 atuais, alta de 7,4%. O valor ainda é uma estimativa: o número oficial será fixado por decreto no fim do ano, depois que o IBGE divulgar a inflação de novembro.
Este texto reflete as projeções oficiais e os dados disponíveis na data de publicação.
Como o valor é calculado
A política de valorização do mínimo está na Lei nº 14.663/2023. O reajuste soma duas parcelas:
- Inflação: a variação do INPC, índice de preços do IBGE, acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior.
- Ganho real: o crescimento do PIB de dois anos antes. Para 2027, vale o PIB de 2025, que cresceu 2,3%, segundo o IBGE.
Se a conta der centavos, o valor sobe para o real inteiro seguinte. Desde a Lei nº 15.077/2024, há uma trava: entre 2025 e 2030, o ganho real não pode ser menor que 0,6% nem maior que o crescimento real permitido às despesas pelo arcabouço fiscal, que tem teto de 2,5% ao ano.
Para 2027, a projeção do Ministério da Fazenda combina INPC estimado em 4,93% com ganho real de 2,3%. Em abril, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) apontava R$ 1.717; a alta veio de projeções de inflação maiores.
O que pode mudar até dezembro
O valor final depende do INPC efetivo. Até agosto, o índice acumulava 3,98% em 12 meses, segundo dados do IBGE noticiados pela Agência Brasil, abaixo dos 4,93% projetados para novembro. Cada 0,5 ponto de INPC muda o mínimo em cerca de R$ 8. Cenários pela fórmula da lei, com ganho real de 2,3%:
| INPC em 12 meses até novembro | Salário mínimo de 2027 |
|---|---|
| 4,00% | R$ 1.725 |
| 4,50% | R$ 1.733 |
| 4,93% (projeção oficial) | R$ 1.741 |
| 5,30% | R$ 1.747 |
Linha do tempo
| Data | Etapa |
|---|---|
| 23/12/2025 | Decreto nº 12.797 fixa o mínimo de 2026 em R$ 1.621,00 |
| Março/2026 | IBGE informa crescimento de 2,3% do PIB em 2025 |
| Abril/2026 | PLDO 2027 projeta R$ 1.717 |
| 31/08/2026 | Projeto de Orçamento de 2027 projeta R$ 1.741 |
| Dezembro/2026 | IBGE divulga o INPC de novembro, e o decreto fixa o valor |
| 01/01/2027 | Novo mínimo em vigor |
Impacto na folha de pagamento
O efeito direto recai sobre quem recebe o mínimo ou um piso colado nele, mas o reajuste se espalha por outras rubricas:
- Valor-hora e valor-dia: o decreto divulga o mínimo mensal, diário (1/30) e horário (1/220); em 2026, são R$ 54,04 e R$ 7,37. Salários de jornadas parciais e de aprendizes, que têm garantido o salário mínimo hora, precisam ser recalculados.
- Adicional de insalubridade: pela CLT (art. 192), é de 10%, 20% ou 40% do salário mínimo, base que em regra prevalece, salvo norma coletiva mais favorável. No grau máximo, passaria de R$ 648,40 para R$ 696,40.
- INSS do empregado: a primeira faixa da tabela acompanha o mínimo (em 2026, até R$ 1.621,00, com alíquota de 7,5%).
- Descontos atrelados ao mínimo, como pensões alimentícias fixadas em percentual dele, mudam em janeiro.
Exemplo de custo
Para quem ganha o mínimo, a alta projetada é de R$ 120 por mês. Somando 12 salários, 13º e férias com 1/3 (13,33 salários no ano), são R$ 1.600,00 a mais por empregado, e o FGTS de 8% acrescenta R$ 128,00. Numa equipe de 100 pessoas nessa faixa, o custo direto adicional chega a R$ 172.800,00 no ano, antes da contribuição patronal ao INSS e de outros encargos, que dependem do regime tributário.
Pisos estaduais e convenções coletivas
Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm pisos regionais, autorizados pela Lei Complementar nº 103/2000 para quem não tem piso definido em lei federal ou norma coletiva. A mesma lei veda o uso dessa autorização no segundo semestre de anos com eleição para governador, como 2026; por isso, novos valores estaduais tendem a ficar para 2027.
Nas convenções coletivas, atenção às categorias com piso próximo do mínimo: se o piso ficar abaixo do novo valor, vale o mínimo a partir de 1º de janeiro, mesmo antes da próxima negociação.
Benefícios ligados ao mínimo
- Piso do INSS: nenhum benefício que substitua o salário pode ser menor que o mínimo; os acima do piso seguem o INPC.
- BPC (Benefício de Prestação Continuada): equivale a um salário mínimo.
- Seguro-desemprego: nenhuma parcela pode ser inferior ao mínimo.
- Abono salarial PIS/Pasep: vale até um mínimo, proporcional aos meses trabalhados no ano-base. Desde a Emenda Constitucional nº 135/2024, o limite de renda para ter direito é corrigido pelo INPC, e não mais pelo mínimo, até chegar a 1,5 salário mínimo, o que reduz aos poucos a faixa coberta.
Contratos de terceirização com o setor público
Em contratos de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra, o reajuste do mínimo é custo que precisa chegar ao preço. Pela Lei nº 14.133/2021 (art. 135), esses contratos são repactuados mediante demonstração analítica da variação dos custos:
- os custos de mão de obra têm data vinculada ao acordo, à convenção ou ao dissídio coletivo da categoria;
- o pedido parte da contratada, com a planilha de custos e formação de preços ou o novo instrumento coletivo;
- vale o intervalo mínimo de um ano, e a repactuação pode ser dividida por categoria;
- a administração deve responder preferencialmente em até um mês (art. 92, § 6º).
Há ainda um cuidado de prazo: o pedido de reequilíbrio deve ser feito durante a vigência do contrato e antes de eventual prorrogação (art. 131, parágrafo único). Mapeie os contratos com salários no mínimo ou pisos atrelados a ele e deixe as planilhas prontas para o decreto. Nos contratos privados, revise as cláusulas de reajuste e antecipe a conversa com o cliente; dados de presença e cobertura ajudam, como mostramos no artigo sobre o portal do cliente na terceirização.
Como planejar o orçamento de 2027
- Use R$ 1.741 como cenário-base e simule um cenário mais baixo, já que o INPC até agosto está abaixo da projeção.
- Liste quem recebe o mínimo, os pisos e adicionais calculados sobre ele e os descontos atrelados.
- Projete o efeito em 13º, férias, FGTS e encargos, mês a mês.
- Separe os contratos que exigirão repactuação ou renegociação, com as datas-base das convenções.
- Atualize o orçamento em dezembro, quando o decreto sair.
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O que o colaborador precisa saber
- O novo mínimo vale a partir de 1º de janeiro de 2027, e o primeiro salário reajustado é pago até o quinto dia útil de fevereiro.
- Parte do aumento fica no INSS (7,5% na primeira faixa) e, para quem usa vale-transporte, o desconto de até 6% do salário também cresce: num aumento de R$ 120, são R$ 9,00 a mais de INSS e até R$ 7,20 a mais de vale-transporte.
- Aposentados no piso, beneficiários do BPC e quem recebe abono ou seguro-desemprego no valor mínimo também terão reajuste.
O que fazer agora
- Incluir R$ 1.741 no orçamento de 2027, com um cenário alternativo
- Mapear empregados no mínimo, aprendizes e contratos de jornada parcial
- Revisar adicionais e descontos calculados sobre o mínimo
- Conferir pisos estaduais e convenções coletivas de cada base
- Preparar planilhas de custos para repactuar contratos públicos
- Revisar cláusulas de reajuste dos contratos privados
- Planejar a comunicação do novo valor às equipes
Perguntas frequentes
O salário mínimo de 2027 já está definido?
Não. R$ 1.741 é a projeção do Projeto de Orçamento. O valor oficial depende do INPC até novembro e sai por decreto, normalmente no fim de dezembro.
Quem trabalha meio período pode receber menos que o mínimo?
Pode receber o mínimo proporcional às horas contratadas quando a jornada é menor que 8 horas diárias ou 44 semanais, conforme a Orientação Jurisprudencial 358 do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O valor-hora não pode ficar abaixo do mínimo.
O reajuste garante repactuação automática do contrato público?
Não. A contratada precisa pedir e demonstrar a variação dos custos, com planilha ou instrumento coletivo.
Conclusão
O salário mínimo de 2027 deve ficar perto de R$ 1.741, mas o número exato só sai em dezembro. Para o DP, o caminho é trabalhar com cenários, mapear tudo o que está atrelado ao mínimo, de salários e adicionais a descontos e contratos, e deixar planilhas e comunicação prontas para janeiro.
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Fontes
- Câmara dos Deputados: Decreto nº 12.797/2025
- Ministério da Fazenda: Projeto de Orçamento de 2027 (01/09/2026)
- Câmara dos Deputados: Lei nº 14.133/2021
- Agência Câmara: Orçamento de 2027 tem mínimo de R$ 1.741 (31/08/2026)
- Agência Brasil: INPC de agosto soma 3,98% em 12 meses (11/09/2026)
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.
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